Microagulhamento Profissional – dicas para resultado de alto impacto

Tempo de leitura: 10 minutos

Microagulhamento é um procedimento que vem ganhando destaque nos últimos anos por sua versatilidade na promoção de resultados de tratamentos estéticos como o envelhecimento, rugas, flacidez, olheiras, terapia capilar, coadjuvante em manchas e como facilitador para permeação de ativos (Drug delivery).

E, para o profissional, a Microagulhamento significa ter uma ferramenta estética poderosa, além de poder surpreender o seu cliente com resultados indiscutíveis, um diferencial no mercado.

Tenho visto muitas pessoas falando do microagulhamento, utilizando o equipamento sem muitos critérios.

Tais procedimentos tem me causado certa preocupação quanto a integridade no atendimento e na utilização do equipamento de forma correta.

Por esse motivo decidi escrever esse tutorial, com os sete passos seguros para a realização do microagulhamento, para que, você, profissional, ofereça resultados excelentes, sem riscos ou intercorrências ao longo do processo.

Algumas pessoas correm na internet para ver as formas de aplicação do roller, sem, contudo, ter conhecimento teórico sobre todos os efeitos que o micro agulhas causam não só no tecido, como também que reações provocam.

Uma pessoa que não seja do ramo, compra o equipamento em qualquer lugar, sem muito critério e utiliza em si mesma, sem o devido preparo da pele. Até aí, é ela com ela mesma, ou seja, caso haja uma intercorrência, ela será a única responsável.

Porém, quando se trata de um profissional habilitado, as regras são mais rigorosas, pois, há o pressuposto que este profissional tenha todo o conhecimento sobre o tema e tenha se habilitado para tanto.

Logo a responsabilidade é desse profissional perante seu cliente.

Pensando nessa necessidade, decidi mostrar aqui esse roteiro.

Confira esses sete passos para que você possa realizar o microagulhamento de forma segura:

Passo 1:

Avaliação do cliente:

A avaliação é uma etapa de extrema importância, pois é através dela que você irá colher dados necessários para avaliar as condições física, bioquímicas e fisiológicas de seu cliente.

Nela você avalia o tipo de pele, fototipo, se já teve algum problema de saúde, se toma algum medicamento que possa interferir no resultado, etc.

Avalia questões como: se a alimentação diária é composta por alimentos que facilitam a formação de estresse oxidativo, glicação e processos inflamatórios.

Se o cliente trabalha em local onde há calor, como em uma cozinha industrial.

A avaliação vai além de um questionário. Evolui para uma conversa onde construiremos o perfil desse cliente.

Após essa conversa com o seu cliente, há avaliação visual e palpatória: quais as lesões que essa pele possui, se ela é espessa ou fina, etc.

Para ajudar nesse processo de inspeção visual, você pode fazer uso de equipamentos como: analisadores de pele, lâmpada de Wood, adipômetro, aparelhos de termografia, entre outros.

Nessa fase ou aceitamos ou dispensamos o cliente para o procedimento de microagulhamento.

Dispensar?

Sim, dispensar.

Nós profissionais da estética, temos inúmeros recursos para oferecer ao cliente, e temos de oferecer a esta cliente alternativa caso ele não possa fazer o microagulhamento.

Isso se chama Profissionalismo.

Nossa honestidade e profissionalismo fará com que seu cliente tenha respeito e admiração por você.

A inspeção visual deve ser realizada ao menos uma vez por semana, como forma de acompanhamento do quadro evolutivo da paciente.

Passo 2:

A importância do pré microagulhamento:

Após a avaliação inicial, você, profissional, determinará uma sequência de procedimentos a serem realizados antes do microagulhamento. Esse procedimento tem por objetivo equilibrar o tecido, aumentar a resposta celular, fornece elementos necessários como hidratação, umectação, etc.

O procedimento em si tem a finalidade de gerar um processo inflamatório e a produção de colágeno como resposta a reparação tecidual frente a injúria provocada.

Para tanto e necessário que o sistema imune possa responder de forma adequada, que a síntese do colágeno se dê pela via correta, e sem intercorrências.

Inicie pelo menos 4 semanas antes, com a limpeza de pele, seguida de sessões de hidratação e reparação do tecido, que incluem cosmecêuticos, nutracêutico antioxidantes, antiglicante, hidratantes, reparadores, auxiliares nos processos de modulação da inflamação, bem como sugestões de alimentos que possam contribuir para o resultado final.

Passo 3:

Biossegurança:

Por definição: a biossegurança é o conjunto de ações voltadas para a prevenção, minimização ou eliminação de riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção, ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços, visando à saúde do homem, dos animais, a preservação do meio ambiente e a qualidade dos resultados” (Teixeira & Valle, 1996)

Local de trabalho

  1. Diariamente proceder a limpeza e desinfecção do ambiente
  2. A lixeira deve ter pedal com saco plástico para descarte do material
  3. Lavatório com sabonete líquido e papel toalha.
  4. Maca com superfície lisa ou lavável, forrada de lençol TNT descartável ao final do procedimento.
  5. Mesa ou carrinho auxiliar – promover a desinfecção, cobrir com filme plástico e papel toalha para colocação dos materiais.
  6. Descarte do roller – Descarte, no coletor para perfuro-cortantes Descarpack.

O equipamento roller

Compre sempre o equipamento de uma empresa autorizada.

  1. Este equipamento deve ter registro na Anvisa – isso significa que passou por inspeção e que foi esterilizado – Resolução-RE nº- 2.605, de 11 de agosto de 2006 (portal.anvisa.gov.br)
  2. O Roller é de uso individual, não é reutilizável – Não se pode reutilizar o equipamento. Você é a pessoa responsável caso ocorra qualquer problema
  3. Na folha de avaliação do cliente você deve anotar: qual o nome da empresa que comprou, o número da Anvisa, o número do lote, a validade e a data. Caso haja alguma intercorrência a empresa responsável consegue rastrear o equipamento e avaliar o que ocorreu.
  4. É sua responsabilidade quaisquer tipos de contaminação que possa ocorrer

Cliente

  1. Usar touca de cabelo e faixa de cabelo descartáveis
  2. Solicito que o cliente tire a blusa e use roupão descartável para o procedimento
  3. Assepsia das mãos

Profissional

  1. Uso de jaleco descartável sobre o jaleco normal, manga comprida com elástico no punho
  2. Touca e máscara descartável
  3. Luva de procedimento para a antissepsia da face. Para o procedimento de microagulhamento utilizar luvas estéreis
  4. Óculos de segurança
  5. Calça comprida
  6. Sapatos fechados

 

Passo 4:

Microagulhamento

Fazer a antissepsia do local que irá sofrer a ação do roller.

Utilizar luvas de procedimento estéreis para realizar o procedimento

O profissional tem de estar habilitado, ter o conhecimento da fisiologia e dos mecanismos de ação.

Fazer o procedimento corretamente, roller nas direções corretas, com pressão muito leve. Prestar atenção para não microagulhar demais em um local e outro não, provocando intensidades de injúrias diferentes.

Forma de se segurar o roller, cuidado para não segurar de forma inadequada e descompensar o aparelho na pele, exercendo mais pressão em um local do roller do que em outro.

Verificar qual a área que pode ser micro agulhada antes das agulhas perderem a sua função, pois as mesmas podem se desgastar e levar a lesões indesejáveis na pele.

Controle a injúria. Lembre-se, quanto maior a injúria, maior é o tempo de reparo, maiores serão as possibilidades de complicações.

Respeitar o intervalo entre as sessões. No mínimo de 30 dias.

Passo 5:

Ativos cosméticos no microagulhamento

Não são todos os produtos cosméticos que podem ser utilizados durante o procedimento de microagulhamento.

Ativos proibidos: Conservantes; Fragrância; Corantes; Surfactantes; Emulsificantes; Emolientes; Umectantes; Ácidos queratolíticos; Filtro solar

Dê preferência a produtos em dose única. E sempre que utilizar em seu cliente use toda a dose contida no frasco, pois ele não foi feito para ser armazenado.

Hoje as empresas cosméticas estão desenvolvendo produtos específicos para o microagulhamento, trazendo assim mais segurança quanto a reações como alergias e contaminação.

Passo 6:

Cuidados Pós Microagulhamento

Assim como no pré, no pós microagulhamento é muito importante que sejam observadas as seguintes questões:

O uso de filtro solar não é permitido por no mínimo 24hs. Faça a finalização do procedimento com produto que possa formar uma camada protetora sobe a pele

Oriente a evitar o uso de maquiagens nas primeiras 48hs,

Não se expor ao sol ou a fontes de calor, como cozinhar, secador de cabelo

Não use produtos que possam aumentar a desidratação da pele, como sabonetes e produtos que contenham ácidos.

Passo 7:

Importância do Home Care

Oriente perfeitamente seu cliente quando ao Home Care – Imprescindível para garantir os resultados

Preocupe-se sempre com reposição da barreira da pele com produtos de ação hidratante e regenerativa.

Muito bem… agora, vamos recapitular o que vimos até aqui:

O Microagulhamento é um procedimento que oferece resultados fantásticos quando associado a cosméticos específicos.

Além disso para se obter o resultado pretendido você deve fazer um checklist: avaliação prévia, pormenorizada de seu cliente, e através dessa avaliação determinar os procedimentos pré microagulhamento como limpeza de pele, sessões de hidratação e reparação do tecido, orientações gerais.

Sempre observando a biossegurança com o local, com o cliente, com você.

Estar habilitado para o procedimento de microagulhamento.

Saber quais classes de ativos não podem ser utilizados nesse processo, dar preferência para produtos desenvolvidos para essa finalidade, em dose única.

Orientar o cliente após o microagulhamento, quais os cuidados que devem ser tomados.

Sugerir o home care com base na ficha avaliativa do cliente

Tenho certeza de que, você como profissional comprometido com seus clientes, que ama o que faz, que deseja entregar sempre resultados de excelência, busca sempre se aperfeiçoar cada dia mais.

Compreender odos os mecanismos que levam ao resultado é de extrema importância para o desenvolvimento de procedimentos individualizados e seguros.

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Bibliografia

Anvisa – http://portal.anvisa.gov.br/
GUIRRO, Elaine; GUIRRO, Rinaldo. Fisioterapia Dermato-funcional.3.ed.rev. e amp.São Paulo:Manole,2004
LIMA, E. V. A.; LIMA, M.A.;TAKANO,D. Microagulhamento: estudo experimental e classificação da injúria provocada. Surgical e Cosmetic Dermatology, Rio de Janeiro,2013.
TONTORA, G.J; FUNKE, B.R.;CASE,C.L Microbiologia.6.ed.São Paulo:Artmed,2000.
http://descarpack.com.br/a-descarpack
Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Higienização das Mãos em Serviços de Saúde. Brasília. ANVISA, 2007.
SCHMIDLIN, K. C. S. Biossegurança na estética: Equipamento de Proteção Individual. Personalité, n° 44, São Paulo, janeiro 2006, p. 80-101.
https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/biosseguranca-o-que-e

 

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